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  • Neide Duarte faz carta de despedida após ser demitida da Globo

    Neide Duarte faz carta de despedida após ser demitida da Globo

    A jornalista Neide Duarte, uma das mais veteranas do jornalismo da Globo, foi demitida recentemente pela emissora carioca após 42 anos de contrato. Para se despedir dos colegas de equipe, a experiente profissional escreveu uma carta e a enviou na última segunda-feira (7), onde desabafou e expressou sua emoção pelo fim do ciclo. Antes de Neide, outros jornalistas renomados já haviam sido demitidos da Globo, como Renato Machado e Francisco José.

    Neide Duarte chegou na Globo ainda nos anos 1980, onde participou de diversos telejornais, como Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e SP1. A veterana também participou do Fantástico, Globo Repórter e Globo Rural, onde estava atualmente, como repórter especial.

    Entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, Neide Duarte saiu da Globo e foi para o SBT, onde trabalhou por pouco tempo também como repórter especial. Em seguida, entre 1998 e 2005, a jornalista esteve na TV Cultura de São Paulo, onde apresentava o programa Caminhos e Parcerias. Nesse período, a agora ex-global ganhou os prêmios Líbero Badaró e Vladimir Herzog, dois dos mais importantes prêmios do jornalismo brasileiro.

    Na sua carta de despedida, Neide Duarte agradeceu pela oportunidade de trabalhar na Globo e também aos seus colegas. Leia o texto na íntegra:

    “Entrei na TV Globo de SP em 1980 como repórter. Saio agora, 42 anos depois ainda como repórter. Ser repórter foi sempre o que eu quis ser.

    Assim como as abelhas novas, que ao sair pela primeira vez da colméia, saem de costas e ficam paradas no ar por um tempo até guardar na memória o desenho da casa onde moram, para conseguir voltar depois, eu também fui saindo aos poucos, de costas, para guardar para sempre aquela imagem de alegria, excitação e entusiasmo, que enxerguei um dia na redação da TV Globo de SP.

    A redação da Praça Marechal Deodoro, nos anos 1980, foi das melhores em que trabalhei. Era uma concentração de talentos, jornalistas vindos de jornais impressos, de revistas e de outras emissoras de TV. Com eles aprendi a escrever. Aprendi que era melhor ser simples do que barroca, despretensiosa do que solene.

    Aprendi a errar. Aprendi que está na rua a essência do ofício do jornalista. Aprendi que repórter não trabalha para agradar ninguém, nem chefia, nem torcida. E assim nunca espera reconhecimento.

    Aprendi que repórter não pode perder o rumo da matéria diante da euforia coletiva ou da tragédia. O que a gente leva dessas reportagens, para sempre, é a alegria ou a dor dos outros. E depois viramos outras pessoas, transformadas por aqueles acontecimentos. É um trabalho, mas parece com a vida. Aprender leva tempo e agora, depois de 42 anos, sinto que estou no caminho certo, pronta para continuar o aprendizado.

    Não posso ir embora sem antes agradecer. E preciso agradecer a centenas de pessoas a quem devo tudo que aprendi e que espero não esquecer. Antes de tudo, agradeço a todos os repórteres cinematográficos com quem trabalhei. É com eles, na rua, que o repórter aprende a ser repórter e a encontrar seu lugar na equipe. Obrigada Hugo de Sá Peixoto, Marco Antonio Gonçalves, Nilson Araújo, Américo Figueiroa, Wilson Araújo, Caue Angelini, Ricardo Vital, Thiago Capelle, Douglas Campos, Jorge dos Santos, Francisco Mafezzoli Jr, Moacir Mendonça, Abiatar Arruda, Reinaldo Cabrera e outros tantos queridos…

    Obrigada Anderson, Dantas, Marcão, Gentil e a todos os operadores de áudio.

    Obrigada aos técnicos que carregavam os antigos Video Tapes pesadíssimos no tempo do U-matic, Santiago, Camacho, Niltinho Mochila, Claudinei, Luizinho, Francischetti, Reginaldo, Mustafá…

    Obrigada Hildebrandão de Lima, Bigode, Valdir, Roque, Capacete, Maurício e todos os motoristas, diretores das nossas aventuras nas valentes Veraneios.

    Obrigada João Paulada, resolvedor de todos os problemas da redação.

    Obrigada a todas as secretárias, a todas as telefonistas do tempo em que ainda existiam telefones com fio. Obrigada a todas as mulheres e homens que, na redação, tiraram o pó das nossas mesas, deram brilho ao nosso chão.

    Obrigada ao pessoal do departamento de Artes. Obrigada, Bira, Maurinho, Fabíola. Obrigada turma da apuração, da antiga rádio escuta. Obrigada Wagner Vallim. Obrigada ao pessoal do arquivo de imagens, aos antigos e aos novos zelosos guardadores da nossa história.

    Obrigada aos produtores que germinam e geram as reportagens antes que elas existam. Obrigada Nélio Horta, Cris Angelini, Maurício Maia, Karina Dorigo, Adriana Caban, Mônica Pinheiro, Marcos Aidar, Ana Rita Mendonça, Assimina Vlahou, Elaine Camilo, Johnny Savalla, Dina Amendola, Maria Luíza Silveira, Marrey Jr, entre tantos outros maravilhosos produtores.

    Obrigada a todos os editores de imagem com quem já trabalhei e que me ensinaram tanto. Obrigada Cebolinha, Juvenal, Joinha, Ronaldo, Zé Rubens, Toninho Asa, Dorival, Geraldinho, Borrachinha, Lima, Liminha, Orlando, Olímpio. Obrigada Josi, dos tempos da moviola e do filme 16 mm.

    Obrigada a todos os editores de texto, que sempre me surpreenderam ao ver na ilha de edição o que eu não tinha conseguido ver na rua. Obrigada Marquito Moraes, Valdir Zwetch, Teresa Cavalleiro, Silvia Sayão, Luciana Bistane, Leda Pasta, Tonico Duarte, Rosane Baptista, Miloca Nagle, Benê Sousa, Theresa Pinheiro, Marislei Dalmaz, Cláudia Guimarães, Mariana Sabino, Fatima Ugatti, Bia Almeida, Anne Porlan, Ivone Happ, Paulo D’Arezzo, Maria Emilia Celestino, Renata De Luca, Virgínia Queiroz, Cintia Borsato, Wanda Alviano, Lucia Santana, Marilei Zanini, Maria Cleidejane, Teresa Garcia, Denise Sobrinho, Fatima Baptista, Ana Helena Gomes, Roberto Menezes e tantos outros.

    Obrigada Walter Mesquita, o nosso Waltinho, obrigada Laerte Mangini, Fernando Coelho, Elói Gertel, Mari Marega e todos os chefes e sub chefes de reportagem.

    Obrigada Raul Bastos, Armando Nogueira, Alice Maria, Ali Kamel, Carlos Schroeder, Cristina Piasentini, Wianey Pinheiro, Jorge Escosteguy, Woile Guimarães, Celso Kinjô, Mariano Boni, Luizinho Nascimento, Hedil Valle Jr, Miguel Athaíde e a todos os editores chefes, chefes de redação e diretores de jornalismo.

    Obrigada a tantos grandes repórteres que me inspiraram, no tempo em que foram repórteres: Lucas Mendes, Ernesto Paglia, Marcelo Canellas, Caco Barcellos, Tonico Ferreira, Sonia Bridi, Carlos Dorneles, Pedro Bial, Carlos Nascimento, Helena de Grammont, Nelson Araújo, José Hamilton Ribeiro, Isabela Assumpção, Ilze Scamparini, Graziela Azevedo, Edney Silvestre, Alba Carvalho, Glória Maria, Helen Martins, Maria José Sarno, Maria Cristina Poli, Alberto Gaspar, José Roberto Burnier, Sabina Petrovsky, Beatriz Thielmann, Mônica Waldvogel, Bruna Marin e tantos outros.

    Passei por todos os programas de jornalismo da TV Globo: Bom Dia SP, Bom Dia Brasil, SPTV 1, Jornal Hoje, SPTV 2, Jornal Nacional, Jornal da Globo, Fantástico, Globo Repórter, em todos fui feliz, desesperada, entusiasmada, indignada, quantas vezes a repórter errada.

    Nos últimos 5 anos fui parar no Globo Rural, onde a convivência ainda lembra a redação dos tempos da Praça Marechal nos anos 1980: alegria, camaradagem, bom trabalho.

    Obrigada Humberto Pereira. Obrigada Lucas Battaglin. Obrigada Maurino, Camila, Vico, Odair, Samuca e toda equipe do Globo Rural. Obrigada por me deixarem fazer matérias que nem eram tão rurais assim, mas um pouco mais parecidas com meu sonho feliz de reportagem.

    Não quero ser triste, nem dramática, mas vou morrer de saudade”, disse Neide Duarte.

  • Jornalista do Globo Rural e repórter secreto do Fantástico são demitidos

    Jornalista do Globo Rural e repórter secreto do Fantástico são demitidos

    Segundo informações divulgadas pelo UOL nesta quinta-feira (25), os jornalistas José Hamilton Ribeiro, que atuava no Globo Rural, e Eduardo Faustini, que era o rosto por trás do “Repórter Secreto”, do Fantástico, foram demitidos pela Globo.

    Ainda segundo informações, as demissões pegaram os integrantes do núcleo jornalístico da emissora de surpresa e causaram muita comoção, pois os dois experientes jornalistas já estavam atuando na casa há muito tempo.

    José Hamilton Ribeiro tinha 40 anos de Globo, enquanto Eduardo Faustini tinha completado 25 anos na emissora carioca, tendo ingressado nos quadros em 1996.

    A história dos profissionais

    Veja um pouco da trajetória profissional de José Hamilton Ribeiro e Eduardo Faustini.

    José Hamilton Ribeiro: a cara do Globo Rural

    José Hamilton Ribeiro, jornalista de voz marcante e muito ligado a matérias sobre o meio rural, é natural de Santa Rosa do Viterbo, no interior de São Paulo.

    O profissional iniciou na Globo como freelancer, apresentando uma matéria sobre o pantanal. O tema, como dissemos, virou marca registrada de José Hamilton.

    A reportagem foi exibida pela Globo durante as comemorações do seu primeiro aniversário, em 1981, já que materiais do tipo eram raros na TV brasileira até então.

    No ano seguinte, em 1982, José Hamilton Ribeiro passou a integrar o time de jornalismo da emissora, no qual permaneceu até ser demitido.

    Em 2006, já com bastante experiência na profissão, José Hamilton recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, um dos mais importantes prêmios do jornalismo nos Estados Unidos, que é entregue pela Universidade de Columbia.

    José Hamilton Ribeiro tem, ao todo, mais de 60 anos de carreira jornalística.

    O “Repórter Secreto”, Eduardo Faustini

    Conhecido como “Repórter Secreto”, Eduardo Faustini fez um trabalho mais que relevante no jornalismo investigativo da TV Globo.

    O começo da carreira de Faustini se deu na TV Manchete, já extinta, em meados de 1989. Em 1996 Eduardo foi contratado pela Globo e começou a produzir reportagens que iam ao ar todos os domingos, no Fantástico.

    Para preservar a sua identidade e preservar a sua própria integridade física e da sua família, Eduardo Faustini jamais mostrou o rosto na TV.

    Essa decisão teve como motivo as várias ameaças que o jornalista sofreu ao longo da carreira, por causa das investigações que fazia.

    Durante a carreira, Eduardo Faustini trabalhou em diversas reportagens importantes. Como exemplo, uma denúncia que foi ao ar em 2004 sobre a queima deliberada de arquivos sigilosos da época do Regime Militar, ocorrida na Base Aérea de Salvador.

    Essa reportagem gerou ao jornalista o Prêmio Qualidade Brasil e o XXII Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo.

    Outro bom exemplo de reportagem importante de Faustini, é uma matéria que foi ao ar em 2005 e mostrava cenas gravadas por Ivo Cassol, então governador do Estado de Rondônia.

    Nas cenas, o governador recebia tentativas de suborno de alguns deputados e as gravações foram uma tentativa de criar provas contra os supostos corruptos.

    Mais recentemente, em 2014, Eduardo Faustini protagonizou a série “Cadê o dinheiro que estava aqui?”, no Fantástico, em que investigava denúncias de desvio de dinheiro público pelo Brasil.

    José Hamilton Ribeiro e Eduardo Faustini não foram os únicos

    Não se sabe ao certo os motivos, mas a Globo vem demitindo os seus jornalistas experientes há algum tempo.

    Em outubro, a emissora já havia anunciado o desligamento de outros dois jornalistas veteranos. Ari Peixoto, que atuava no Rio de Janeiro, e Alberto Gaspar, que trabalhava em São Paulo.

    Alberto Gaspar já estava há mais de 39 anos na emissora da família Marinho, e tem atualmente 64 anos de idade. Enquanto isso, Ari Peixoto, de 65 anos, já havia completado 34 anos de Globo.

    O jornalista Ari Peixoto se pronunciou sobre a sua demissão e descreveu brevemente como se deu a sua saída da Rede Globo. “Fui ‘desligado’ hoje da TV Globo. Cheguei para trabalhar e fui chamado à sala do diretor, que em minutos me informou da minha demissão”, disse o veterano em entrevista concedida à equipe do portal Notícias da TV.

    “Saio agradecido porque muito do que construí, tanto no campo pessoal quanto no profissional, devo à Globo. São os novos tempos”, começou Ari em carta de despedida enviada aos colegas.

    “Minha relação com a Globo acaba hoje. Um abraço aos que ficam, meu celular é mesmo, até um dia”, concluiu o jornalista.

    Antes mesmo das demissões de Alberto Gaspar e Ari Peixoto, a Globo já havia demitido outros três integrantes veteranos da equipe de jornalismo.

    Foram eles Roberto Paiva, que atuava como repórter especial, Fernando Saraiva, que tinha 22 anos de casa e já atuou como correspondente em Londres, e Robinson Cerântula, produtor especial responsável por um dos maiores furos jornalísticos na área policial da história da emissora carioca.

    Nenhum dos profissionais citados comentaram sobre como será o prosseguimento de suas carreiras, dentro ou fora da televisão, até o presente momento.